Qual a influência da mídia independente feminista para a luta das garotas do punk?

por Catharina Gaidzinski

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Foto: Reprodução.

O que são zines?

Zines são revistas independentes, feitas à mão, muito influenciadas pelo movimento punk e sua filosofia de “Faça Você Mesmo”. Acredita-se que o termo “zine” foi criado pelo jogador de xadrez americano, Russ Chauvenet, em 1941, e que ele vem de fanzine, junção das palavras em inglês fan, ou fã, e magazine, ou revista. Inicialmente, essas produções alternativas foram utilizadas como uma maneira de publicar histórias de ficção científica ou policiais, além de notícias sobre jogos de xadrez e quadrinhos amadores ou independentes. No movimento Riot Grrrl, os zines possibilitaram que as garotas expressassem suas inseguranças e indignações, trabalhando juntas e compartilhando experiências únicas femininas.

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Nos anos 1960 e 1970, o zine se tornou um meio particularmente popular e alternativo para divulgar ideologias, arte, literatura e música. E porque os zines tinham o benefício de serem um meio de comunicação totalmente livre de censura, por conta de seu caráter independente, alternativo e não-hegemônico, o movimento punk o utilizou para disseminar suas ideologias, letras de músicas e críticas ao sistema social da época, pregando, assim, a contracultura e o seu descontentamento social e político.

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Os zines do Riot Grrrl

Os zines do movimento Riot Grrrl se aproximavam bastante da estética abordada pelas punkzines, e abordavam principalmente experiências pessoais e temas como: assédio sexual, aborto, violência contra a mulher, recusa da heteronormatividade e rejeição dos padrões de beleza da época. Esse foi um dos meios encontrados pelas garotas daquela época, principalmente as interessadas na cena underground e na igualdade de gênero, para exporem suas indignações e lutarem pelo seu espaço juntas.

Assim, os grrrlzines se tornaram a primeira geração da mídia feminista produzida independendemente. Isso porque, por conta da ideologia do “Faça Você Mesma”, elas podiam se expressar livremente sem precisarem se preocupar com censura, machismo, misoginia e retaliação. “O zine foi uma forma que as mulheres encontraram de esparramar pelo mundo esses temas que eram tão importantes, sobre o feminismo e sobre a presença da mulher nos ambientes”, explica Adrienne Reyes, especialista em música e rock.

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A partir de um tom biográfico e do compartilhamento de acontecimentos cotidianos comuns às mulheres, essas garotas desenhavam, escreviam, faziam colagens e utilizavam fotografias para expressar seus sentimentos contra as variadas formas de opressão da sociedade vigente. As imagens utilizadas nas edições dos grrrlzines tratavam, principalmente, de figuras comuns à elas, como: mulheres cantando e tocando instrumentos, mulheres nuas, garotas vestidas com roupas escuras no estilo punk, mulheres segurando armas ou mostrando o dedo do meio, super-heroínas, e até de ícones do feminismo, como: o símbolo do sexo feminino acompanhado de um punho fechado, o cartaz com o bordão “We Can Do It” e ídolas como Kathleen Hanna, Joan Jett, Frida Kahlo e Virginia Woolf.

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De acordo com Adrienne: “[Nos grrrlzines, há] elementos simbólicos e a presença muito forte de coisas relacionadas à Vênus. [Eles] trazem essa coisa de masturbação feminina, da defesa, da sororidade, de vênus e do feminino. No momento que a gente inclui as mulheres como produtoras dessas coisas, as nossas pautas obviamente vêm à tona. Então, são coisas de crença que a gente está emitindo, essas pautas mais urgentes que têm a ver com a nossa vida”.

Como essas revistas independentes foram muito distribuídas na época, passando de mão em mão pelas feministas não tradicionais, os zines Riot Grrrl se tornaram parte importantíssima do ativismo da terceira onda do feminismo, que doutrinava a resistência e o empoderamento das mulheres. Grandes exemplos desses zines podem ser encontrados no acervo histórico “Riot Grrrl Collection”, reunido e editado por Lisa Darms, que inclui uma redação original por Johanna Fateman, vocalista da banda de electro-punk feminista Le Tigre, integrada também por Kathleen Hanna.

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Outros zines famosos e importantes do movimento são “Jigsaw”, pioneiro produzido por Tobi Vail — que, como comentado na reportagem anterior, introduziu a ideia de “Riot Grrrl” — além do “Revolution Girl Style Now”, produzido conjuntamente pelas musicistas Kathleen Hanna e Alison Wolfe — líder da banda Bratmobile — e do “Bikini Kill 16”, produzido por Kathi Wilcox, ex-baixista da banda que deu título ao zine. Todas essas revistas independentes possuíam em comum a ideia de “Faça Você Mesma”, a revolta escancarada em relação ao predomínio masculino da cena do punk rock, além de protestos artísticos e o ativismo informal.

Além disso, o Riot Grrrl teve também um manifesto, publicado em 1991 no fanzine da banda Bikini Kill “Girlpower”, que contava as missões, ideologias, planos e esperanças da mobilização. De acordo com o zine original, o movimento precisava existir porque, em tradução livre:

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“Porque nós, garotas, ansiamos por discos, livros e fanzines que falem diretamente com a gente, e ansiamos para que nos sintamos incluídas e para que possamos interpretar as coisas do nosso jeito.”

“Porque queremos facilitar para que as meninas vejam e ouçam o trabalho umas das outras, para que possamos compartilhar estratégias e criticar ou aplaudir umas às outras.”

“Porque devemos assumir os meios de produção para criar nossos próprios significados.”

“Porque estamos com raiva de uma sociedade que nos diz que Garota = Estúpida, Garota = Ruim, Garota = Fraca.”

“Porque não estamos dispostas a permitir que nossa raiva real e válida seja difundida e/ou voltada contra nós por meio da internalização do sexismo como testemunhado no ciúme feminino e em comportamentos do tipo autodestrutivos femininos.”

“Porque eu acredito com todo o meu coração e corpo que as garotas constituem uma força revolucionária da alma que pode e vai mudar o mundo de verdade.”

“Porque queremos e precisamos encorajar e ser encorajados diante de todas as nossas próprias inseguranças, diante do rockeiro bebedor de cerveja que nos diz que não podemos tocar nossos instrumentos, diante das “autoridades” que dizem que nossas bandas/zines/etc são as piores nos EUA.”

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Desse modo, utilizando uma linguagem cotidiana e direta, além de letras de músicas, entrevistas e divulgação de trabalhos da cena hardcore, os zines Riot Grrrl conseguiram assumir um caráter de transformação política e social praticamente inimaginável antes. Afinal, eram escritos por meninas jovens para meninas jovens, que inspiravam umas às outras a se defenderem, buscarem conhecimento, revolução e mudanças históricas. Ao fazerem reuniões, eventos, shows e músicas só para o público feminino, conseguiram a força necessária para assumirem a posição que mereciam na indústria do Punk Rock, influenciando gerações de garotas, que, como eu, também acreditavam que podiam e deveriam ocupar espaços não considerados “femininos”, como a liderança de bandas de rock, metal ou punk.

E atualmente?

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Hoje em dia, os zines ainda existem como meio de comunicação válido e independente, e podem ainda ser postados na internet, onde são chamados de e-zines. No entanto, esse tipo de publicação perdeu muita força por conta das redes sociais, que fazem todo o trabalho dos fanzines e das reuniões de protesto em um só ambiente virtual, ao permitirem que seus usuários criem grupos, se mobilizem online por causas que acreditam e possam expressar livremente suas próprias opiniões, praticamente sem censura.

Por outro lado, a estética adotada pelos zines, de utilizar diferentes colagens, imagens, textos e citações, ainda é muito utilizada nas redes sociais. De acordo com Flo Lau, diretora criativa da Shutterstock, em entrevista com a revista FTC em 2018: “O Instagram permite que as pessoas criem sua própria plataforma e compartilhem suas ideias instantaneamente, o que é uma extensão do que o zine era originalmente. Toda vez que você olha o Instagram, particularmente na seção ‘stories’, você pode encontrar ‘zines’ incríveis da nova era em seu próprio feed!”

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Adrienne Reyes corrobora uma opinião distinta: “Pelo que eu entrevistei das bandas [de Riot Grrrl atuais], a maioria foi pelo caminho do 100% digital, que é uma diferença tremenda em relação aos zines, que eram feitos completamente à mão. Essa passagem de um meio para o outro também alterou a linguagem visual, porque dá para fazer um zine digital com aquela estética, mas a mutação visual acompanhou o meio a partir do qual ele está sendo feito e onde ele vai ser reproduzido”.

Ei, fale conosco!

Você pode nos indicar uma música ou banda, relatar vivências e até desabafar sobre o que quiser. Ficaremos super felizes de te conhecer!

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4 comentários em “Os zines na luta das Riot Grrrls”

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